Convento de São Francisco

Equipments | Unbuilt | 2005

Convento de São Francisco

Equipments | Unbuilt | 2005

O PROJECTO | PROJECT
O Cais do Sodré, cuja malha urbana se integra na Baixa Pombalina, constitui-se no séc. XIX como uma porta utilitária e de traseiras da cidade. A Rua Nova do Carvalho, lugar de uma riquíssima intriga espacial, traseiras das próprias traseiras, desenvolveu então, por inegável vocação, as apetências para lugar de sombra e do mundano, que até hoje soube manter.
Mas o que é hoje a Rua Nova do Carvalho senão o Pombalino violentamente apro- priado, sem nunca descaracterizar os padrões estruturais e a qualidade urbanística que perdura na Baixa?
Coloca-se hoje, por ocasião do presente concurso, a questão delicada de como intervir neste lugar: Interessa-nos introduzir uma marca de um momento? Intervir nas fachadas ou alterar esquemas de iluminação? Introduzir mobiliário urbano de desenho contem- porâneo? Impor uma qualquer estética adicional, uma qualquer sofisticação artificial?... Interessa-nos uniformizar o conjunto quando a sua diversidade é precisamente a sua mais estimulante condição?
A resposta que damos é claramente não. A narrativa espacial do lugar está historica- mente encontrada, o seu charme e qualidade estão presentes. A Rua Nova do Carvalho necessita de ajustes, operações pontuais, económicas e imediatas, que melhorem e dignifiquem o seu uso. E é precisamente esse o princípio da nossa proposta, que divi- dimos em dois momentos: o seu chão e o seu tecto.
E como? Através da reafirmação do sentido tradicional de rua, do redesenho dos seus limites, do seu nivelamento com o passeio e da sua materialidade, aceitando a sua apropriação livre e heterogénea por cada um dos espaços comerciais. E através da implementação de um “tecto”, contínuo a toda a rua, uma teia unificadora em cabos de aço que se constitui como uma estrutura de suspensão para intervenções de carácter lúdico ou de arte urbana. Ao nível do pavimento e ao nível superior não propomos for- ma, nem desenho. Propomos infra-estruturas, válidas por si como elementos plásticos, mas sobretudo como plataformas de intervenção no espaço urbano, como estruturas receptoras das mais diversas apropriações.
As soluções construtivas propostas são simples, de rápida execução e projectadas com uma constante preocupação nos custos associados, quer de implementação, quer de manutenção. No pavimento serão removidos os lancis existentes para pos- terior recolocação na posição definitiva, complementados sempre que necessário por elementos rampeados de acordo com os requisitos de acessibilidade. As novas áreas de passeio são colmatadas em calçada portuguesa idêntica à existente, e a rua, com largura constante de 3,5m recebe argamassa colorida com inertes de quartzo, sobre enchimento betuminoso até à cota do passeio. Elimina-se assim os degrau entre am- bos, nivelando todo o pavimento e facilitando a sua ocupação pelas esplanadas.
A teia superior, é executada com cabos de aço inox, e suspensa em vários pontos das fachadas. Abrangendo toda a extensão da rua à cota de 14m unifica-a superiormente entre a Travessa dos Remolhares e a Rua de São Paulo, passando, à semelhança da rede aérea dos Eléctricos, por cima da rua do Alecrim. Reforça-se assim, também à cota superior, o sentido de unidade da Rua Nova do Carvalho.
Unidas por um mesmo princípio de flexibilidade de apropriação, mas autónomas en- quanto estruturas, estes dois momentos evidenciam a delimitação clara de um pos- sível faseamento na sua execução: numa primeira fase o pavimento, e numa segunda fase a teia superior. Num futuro, uma terceira fase de intervenção assente nos mesmos princípios poderá estender a intervenção a poente, ao longo da praça de São Paulo até à Ordem dos Arquitectos.
Uma das principais inovações do Pombalino, que constitui um acontecimento raríssimo até ao século XVIII, é o planeamento da cidade assente, mais do que no estabeleci- mento de um desenho, na delineação da sua estrutura, do estabelecimento de uma ordem, e da regulamentação de um processo.
A definição de regras claras confere ao Pombalino uma tal robustez que encerra em si a faculdade de aceitar intervenções e apropriações que gradualmente matizam a sua ordem, sem descaracterizar os seus padrões estruturais.
Esta é a história da Rua Nova do Carvalho. Este é também, assim o entendemos, o seu Futuro.

PROJECT INFO
Client - FISFA Beja
Architecture - Atelier Helena Botelho Filipe Mónica
Year - 2005
Area - 1000 m2
Location - Beja

PROJECT TEAM
Collaborator Architects - Rita Ferreira, Carla Figueiredo, Cátia Rangel, Susana Modesto, Ana Filipa Rosa, Gonçalo Matias, Maurício Martins, Joana Ferreira |  - ONstudio | Landscape Architect (consulting) - GLOBAL, João Gomes da Silva |  - BETAR, Miguel Villar | Water distribution, plumbing, drainage - BETAR, Andreia Cardoso | HVAC - Galvão Teles | Electrical Installations and Telecommunication - Rúben Sobral | Gas - Augusto Teixeira | Security - António Portugal |  - Miguel de Sousal | Thermical System - Isabel Guerra
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